quinta-feira, 15 de setembro de 2016

doce menina má


O Brasil é uma nação de espertos que, reunidos, formam uma multidão de idiotas. Gilberto Dimenstein.
Político não é sabonete! Desconstrução muito usada pelos marketeiros dos anos 90. Quase brado semi-retumbante. Falhada tentativa de validar o selo pré-fabricado de autenticidade ao candidato que costumava ser questionado sobre sua mutabilidade antenada ao quociente elegível de opinião e ou antagonismos entre discurso e vida pessoal ou política, teleguiado que estava sob o uso de técnicas e ferramentas do marketing, aplicados quer as campanhas eleiçoeiras quer à comunicação governamental. Alguma coisa mudou?
Na eleição de 2010 a maquiagem e o over-acting (por Serra, principalmente) foram praticados ao nível da hipérbole tragicômica tal e qual às baixarias. Hoje, principal recurso, conditio sine qua non, instrumental de bamboleio no “arsenal de campanha do marketing político - do marketing canalha, obviamente – utilizado em discursos no primeiro e segundo turno que assim confirmaram: nunca há um presidente que não seja bom o suficiente para ganhar uma eleição sem fazer uso dela ou da resposta ludibriada ludibriante para esquivar-se de si ou da própria. Foi assim que acabamos de eleger a doce menina má. Habemos presidente porque em lugar da honra, da ética, da moral, dos atributos de capacidade intelectual e gestora, dos valores humanistas e ideológicos - vocábulos mais desgastados do que a cara e a bunda da ... enfim, deixa pra lá – sim, temos presidente ou “presidenta”(argh!) porque a nossa democracia resistiu a uma bolinha de papel, mesmo que remendada à fita crepe, ainda que abalada por tal catapulta para careca a marca dos três pontos, num  arremesso incógnito que pela mão do destino quis o momento fosse resgatado em objeto de corte por um celular. Uh-lá-lá!
Dilma Roussef, cujo perfil sempre esteve mais para mulher pequi do que para mulher caqui, não mais que subitamente adocicou opiniões e sorrisos que chegaram ao ápice em suas aparições orquestradas em telinhas globais como a nova namoradinha do Brasil – e não só – Na manhã seguinte a sua eleição, corroborou que é mesmo dura na queda. Em vez do cansaço derrubá-la,  o cansaço é que foi a K.O., mal se abriu a contagem. Que efeito boto-clínico tem a vitória. Na próxima eleição, candidate-se a Maria Braga, quem sabe assim não se resolvem seus problemas eternos.
Numa operação mercadológica mais para Dr. Hollywood do que para Pitanguy, abortou-se a mulher de quina, de espasmos temidos, de foco sem aparas. De resistência a dor absoluta de outrora mas que agora não mais resistiu à tortura da supressão dos votos de pentecostais e católicos, que entendem de tortura como mais ninguém, e mais praticando do que como vítimas: ou você acha que Silas Malafaia no pé de ouvido não faz menos estragos do que um “telefone”? Mas quem se importa com história em tempos de eleição, não é mesmo? Vale mais o boato do que o fato, não importa a versão. Esta é a moeda do real no país do brasileirão de religiões, onde o catolicismo luta para não ir para a zona de rebaixamento. É assim que se chega ao poder e, mais importante, que se aboleta nele, não importa a opção se laica ou não laica sufragante. Aliás, também Deus, para muitos não passa de boato, certamente não urdido por um marqueteiro, a julgar pela excelência de combinações.
Ao ser eleita, Dilma fez mais uma coisa por nós. Pôs por terra a teoria de Maureen Murphy: a razão porque existem tão poucas mulheres na política é que dá muito trabalho colocar maquiagem em duas caras. Resolveu o problema mantendo apenas uma: a de pau, com uma ajudazinha do Kamura, o cabeleiro que é meu xará em outros usos da tesoura.
Se político não é sabonete, o marketing, para nossa sorte miseravelmente sofrida, não é Vanish. Tira manchas mas não todas. A não ser que você acredite mesmo em propaganda. Ainda mais a eleitoral. Neste caso façam suas apostas: no confronto dela com ela mesma para assegurar seu papel na história, quem vencerá? A doce ou a menina má?  Haja fita crepe e bolinha de papel.
*Celso Muniz é jornalista nas horas castas. Não é misógino, nem eleitor de Serra. Muito menos do Ey-eymael. E torce pelo casamento do Plínio quatrocentão com a Marina você se pintou de marré-marré. (publicado no jornal o contraponto, joão pessoa paraíba, às vesperas da posse).






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