quinta-feira, 15 de setembro de 2016

semântica e universidade

as primeiras lições semânticas eu as tive com o mestre otto maria carpeaux. lições descomplicadas sobre a utilização de adjetivos e advérbios, muito bem resumidas na publicação “argumento”, que não passou de três números, logo tingidos vermelhos por semanálise ideológica dos orgaos de controle da informação. era um tempo em que argumentos nada valiam, muito embora fosse nossa, a disposição de apresentar contra os fatos de então, argumento no panorama de um jornalismo cultural desértico para tais publicações.

destas lições semânticas, em nada “barthesianas ou pragmáticas de círculo”, muito guardei de otto, em seu estilo singular, apresentando de múltiplas maneiras um dos velhos slogans(máximas) do jornalismo que sei pendurado nalgum canto da redação do new york times: “nunca fale tão bem de uma pessoa que depois não possa falar mal dela”.

aparentemente de cunho pieguista, bem inserido no american way of life, a epígrafe tem suas utilizações bastante práticas, caso aplicadas, principalmente as cabeças jornalísticas da imprensa local, que padecem de miopia analítica, deformando ou exarcebando, sabe-se lá porque interesses, nos “ comentários de fundo raso”.

na paraíba as atenções jornalísticas e culturais voltam-se constantemente para a universidade, orgão gerador de notícias e fatos culturais, principalmente após-durante o reitorado de lynaldo cavalcanti, misto de mecenas e bem sucedido executivo acadêmico. e é justamente sobre o reitorado de lynaldo, que num artigo de carlos pereira, vejo aposto o magnífico, em lugar da anteposição formal de tratamento, o tal adjetivo de exaltação àquele que está por terminar um reitorado, convenhamos tarefa que não é das mais fáceis, dentro dos melindres e abismos políticos-educacionais brasileiros, devidamente xipófagos a ideologia de segurança nacional.

espírito yermo e outras imprecações deverei ouvir pelo atrevimento de reler semanticamente o articulista e seu objetivo de escriba. de que serviria a página de opinião senão para uma paralaxe, além de outras utilizações que não sabemos guardar para muito além do desprotegimento que o escudo de nossa vã sabedoria nos dá?

nada mais simpático, embora aí nada de magnífico, do que abdicar das magnificências pomposas do título e até merecer uma crônica de drummond, este sim um magnífico como poeta, adjetivo que entretanto não cabe ao cronista.

esta abolição da escravatura do paletó e da forca da gravata, laivo de liberalismo, são medidas só agora tomadas por estas bandas, onde a cabeça piramidal acadêmica ainda se quer cultuada à louvor de antigos bacharéis, togas e outras bossas, conservadorismo fecal, profundamente abalado por uma nova geração de “magister sciência” e phd´s de desgrenhados cabelos e vestes.

democratização, acertos financeiros, preenchimentos de vacâncias, e habilidade política são, medidas, digamos, de sobrevivência, que o mínimo de bom-senso teria que vir a por em prática ante a ferrugem do modelo “weberiano” e impotência tecnocrática militante nos corredores universitários da repressão, agora bem falante, disfarçada de intelectuais de maçaneta. tais medidas foram implementadas diante de alterações nos quadros de conduta ideológica que se querem, pela abertura, melífluos e agradabilizantes.

não há que se negar que é um reitorado bem sucedido. tampouco as observações acima querem impregnar o magnífico reitor de compactuações e conluios ou atribuir-lhe características reacionários e degradantes. entretanto, santa inocência, liberais, humanistas, ou não , fazem parte de um escalão decisório governado por engrenagens de tiques muito maiores, que não permitem, mesmo aos bem intencionados, guinadas, digamos, estercantes. até aqui também nada de magnífico. tudo sobre controle.

a internacionalização da ufpb é um fato que enche de orgulho os paraibanos, tapa-boca daqueles que de uma hora-pra-outra viram a paraíba falando para o brasil e para o mundo, linguagem da nova meca do saber. as manchetes tornam a universidade o receptáculo maior da cultura humanística algo extinta no pódio do saber, além de rosáceos mestrados enfeitando composições optativas de cursos. nada magnífico, faz o registro também minha linguagem fruto dos blefes apologizantes da cultura burguêsa. a “caixa-prego” obteve os cursos de pós-graduação quando estes debilitados no panorama unversitário brasileiro são o principal sintoma do empobrecimento e da falência da universidade brasileira. a questão não é levantada aqui pelo”grilo-falante”. o magnífico reitor, mais do que ninguém, sabe das discussões das hostes acadêmicas sobre o esvaziamento e a falta de sentido da pós-graduação dentro da atual ótica do desenvolvimento(?) –progresso- brasileiro. precisamos mesmo é de cursos de nível médio técnicos e profissionalizantes.

é evidente que o magnífico nada tem a ver com esta decadência, estabelecida antes mesmo da emergência do pós. a criação destes em terra de cegos, é um olho telescópico, porém míope na aferição dos sintomas que fazem o caminho da teoria a praxis, nos labirintos do singular ao plural do verdadeiro desenvolvimento. a proliferação de mestrados e similares é objeto hoje de crítica das autoridades no assunto e do próprio mec. além da divisão nas orientações de ordem européia e americana(funcionalista e “conflitante”) está última não muito agradável ao sistema, que nada tem a temer de núcleos que mantem formandos de yale e sorbone no mesmo barco – milagres do equilíbrio metodológico, ou seja democracia do value free?

não fosse a questão dos caminhos talhados antes da entrada para a universidade, a questão é sempre infra-estrutural neste país – atentem marxistas de umbigo! - a graduação universitária em rítmo medíocre de brasil grande, tropeça na falta de giz e apagadores para apagar as besteiras de professores e alunos depauperados nos desenganos do diploma. deficiências de instalação física e material de apoio são outras questões, não me peçam detalhes, eu sou só um crítico semântico.

a política nacional de cultura – atenção: universidade é cultura – desde 1970 iniciou o arranque definitivo para o investimento maciço em capital humano(educação)." é necessária a criação da cultura nacional, da tradição cultural. o rosto cultural de um país é como um deus criando uma natureza a sua imagem e semelhança, para que este “ambiente” lhe dê credibilidade, consistência, naturalidade, para que não possa transformar a verdadeira realidade. nas universidades procurou-se então modernizar o ensino, isto é : torná-lo eficaz segundo as exigências do modelo econômico vigente, isto é procurando despolitizar as atividades de professores e alunos, numa produção massiva de tecnocratas, visando a massificação e não a emancipação através de um ensino que torna o aprendiz dependente e sem capacidade crítica" . salvo ligeiras correções de implantação dos mesmos objetivos o quadro é o mesmo em todas cabeças amestradas. mas, mesmo assim, nada de magnífico portanto. apenas expedientes sintagmáticos, troca de roupagens dos mesmos ícones, formas de poder: atenção comunicólogos!(eita! cursinho avacalhado).

quero-me apenas nos espaços blake: “ alerta aos jovens da nova era! oponde-vos aos mercenários ignorantes! pois temos mercenários na caserna, na corte e na universidade, que, pudessem eles, reprimiriam a guerra mental e prolongariam a corporal “.

faço pois o meu alerta. a universidade hoje é a própria fábrica de mercenários. nada de magnífico, nada de novo no front nem na retaguarda também.

nada contra o objeto magnífico nem seu feitor. faço apenas colocações sobre questões de ordem, digamos, semântica. nada de magnífico…

publicado na página editorial de o norte, “associado” de joão pessoa, em 24 de dezembro de 1979, erros cacográficos devidamente corrigidos.

in tenpo: a ufpb, chegou a ser a segunda folha de pagamento do paí em meados dos anos 80, só” perdendo” para campinas, salvo engano.
fervilhante academia do saber, com um corpo doscente multifacetado – até tupamaro como professor tinha, troçávamos da verdade – fazia jus ao termo universidade, pari passu a fervilhante joão pessoa, que se descobria em universalidades como com o bar da xoxota, o pentelho, bar do mijo, bar do meu cacete, que liberavam o corpo de cabeças tão libertas pré-e-pós vestibular fusion dos oriundos da cidade do interior e daqueles que atravessaram oceanos para lecionar por cá. e, registre-se também um verdadeiro maná para os assessores de imprensa que eram eles próprios reitores da informação e com um salário acadêmico, o que na época significava coisa que valia a pena.

(creio ser interessante também, apesar de soar causa-própria, o enfoque à formação técnica como real necessidade educacional-profissionalizante à realidade brasileira, onde tem muito mestrando ganhando menos do que um encanador. vinte e sete anos após, continuamos com o mesmo problema e os mestrados de ontem são os mbarghs! de hoje).

hoje, o que é a ufpb? onde está a inteligentzia universitária? que costumava exibir-se domingueiramente calcados em sandálias havaianas naquele forró frontal ao hotel tambaú, onde valia tudo na base do "abaixo tim maia", o que não deixava de ser uma intervenção acadêmica.
o que mais se expandiu? a não ser o ramo da tapioca, a paisagem imobiliária para turista comprar e, é claro, a chanha da política de baixo clero que revela-se na qualidade dos que almejam coçar-lhe o cu chamando a isto governo...

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