quinta-feira, 15 de setembro de 2016

no more top-top-less


medíocres considerações. idiotia na ótica. arrivismo nas manchetes.
o top-less chegou a joão pessoa? não, não chegou. o que tivemos foi um strike sub-desenvolvido e estampado com o estardalhaço da primeira página, pelas mesmas amarras burguesas e reacionárias que controlam o inconsciente coletivo desta sociedade em parafuso.

por todos os sinais de fumaça vistos, acredito que tamanha cena de incompetência crítico-profissional incorpora-se as grandes barrigas da imprensa na província, que esta semana dividiu-se entre dois atos públicos pequenos burgueses: o tal dito, tira a parte de cima, mostra os peitos! que tem fotógrado olhando, e as melequeiras das vedetes reedidtando babacagens estudantis sobre o caquético desmando de alagamar. é duro escrever sobre mediocridades e mau-caratismo, ainda que uma vez por semana, evitando o contágio.

a questão política e a questão moral na sociedade de todos os tempos nunca admitiu dicotomia. no entanto querem dicotomia ortodoxos de direita(compreensível), de esquerda(compreensível?) e revisionistas de poleiro melado. querem dicotomia? então não vai a lugar nenhum estas reformas e revoluções transformadas em breviários de imobilismo. o pensamento é um ensaio teatral, eis pois o palco das questões, e nestes ensaios vistos, todos tem lugar garantido no confidenciado histérico de flávio cavalcante, e noutras prensas pseudo-proteicas.

escrever já não mais adianta – se é mesmo que adianta alguma coisa escrever – quando se inscreve palavras em meios de comunicação que se arvorando a libertadores das amarras oxidadas do sexo, pensam(?) fomentar novos sentimentos, explorando a credibilidade da comunidade e as direciona para feixes de mal-arrumadas óticas, contribuindo muito mais para fazer brilhar algemas – e assim aprisionar mais e mais – do que esta malsã, priovinciana e equivocada(?) primeira página do C.P.

incompetência ou mau-caratismo? lanço a pergunta e passo a respondê-la. mau caratismo, porque o mau caratismo leva a incompetência mal assumida, muito embora muitas vezes muito bem disfarçada.

quem não sabe tomar partido deve calar, ou então admitir sua ação de contágio, uma vez que, como orgãos formadores de opinião, ante a in-capacidade de exercer a profissão tão rasuradamente e murcha, tal qual suas manchetes deslocadas, tal qual as mentes que as elaboram, tal qual os peitos à mostra de quem se vangloria vender a edição do dia explorando seios fáceis. o que não se fará das próximas vezes , perguntaria, se não soubesse, que é de um tempo em que jornalismo se faz ou com coragem, ou com inteligência. mas este material é escasso na terrinha, ao contrário de racks de incompetência e toda uma malta de adjetivos.

um mínimo de caráter e seriedade há que se ter para se continuar militando espaços jornalísticos, além da verve para chacotas bestilóides de parte-à-parte. o que se viu nesta semana, foi um exemplo de provincianismo barato no melhor estilo da palavra incapacidade, e acima de tudo amoralidade, na obtenção de fatos jornalísticos quando de seu tratamento. julgando inovar/informar, partindo para abrir um espaço de liberalidade, tal jornal contribuiu para perpetuar, isso sim, as correntes que giram em torno da moral da mulher pessoense não lhe oferecendo, ao menos claquete crítico, distorcendo o fato, que necessitava angulação, além do show tímido, após agressões. nesse ponto comportamento quase irrepreensível de o norte, não fosse um infeliz zé da silva que, prontificando-se a respostas ácidas, também contribuiu para a cristalização de um segmento de opinião em que tudo vê – mesmo onde não há – atentado ao pudor e a moral pública. que pudor? que moral ? quem a estabelece? esta sím é a grande questão.

as relações de produção, que durante tantos séculos mantiveram a mulher fechada em casa e submetida a autoridade do “macho” que a sustentava, são as mesmas que, ao forjar o arrebentar destas correntes enferrujadas, impelem a mulher frágil e inadaptada à luta do cotidiano e a submetem a dependência econômica do capital, o mesmo capital que a submete de todas as formas. nesta urgência em adaptar-se as novas condições de vida, a mulher apodera-se de verdades e assimila-as frequentemente sem as submeter a nenhuma crítica, ainda que propriamente masculina, que examinadas mais detalhadamente, são apenas verdades para perpetuar seu escravagismo como objeto sexual, ou estandarte da má política de libertação. a transformação da mente da mulher, da sua estrutura interior, espiritual, intelectual, moral, realiza-se primeiro e, principalmente, nas camadas mais profundas da sociedade, ou seja, onde se produz necessariamente a adaptação às condições radilcamente transformadoras de sua existência.

entretanto esta duas mulheres, - adolescentes ainda – e qualquer delas, não resolvem nenhum problema. triste da mulher que acredita na força invencível de uma individualidade isolada. são, e tal jornal as transformou, como o fez toda grande imprensa desta década, em objejtos de cama prostituidos e só. a pesada carga do sistema, com seus rearranjos as liberalizou, mas não as libertou, utilizandos peitos, ventres, ancas, e miolos como objeto de vendagem, manchete cancerosa da verdadeira liberdade sexual.

a mulher tem se transformado gradualmente. e de objeto de tragédia masculina, converte-se em sujeito da sua própria tragédia. o sexo pois é o busílis através do qual se operam nas sociedades de classe a exploração do modo a alijar na estrutura ocupacional e política grandes contigentes do sexo feminino.

libertar é pois situar a questão feminina em dois níveis: conteúdo interpretativo ; e segundo: o desenvolvimentos dos subsistemas em que está inserida e explorada na ordem capitalista, bem como outra qualquer.. o strike que foi feito e continua – aconteceu sexta-feira a noite nas dependências do cantom e chyca´s – foi um strike semi-realizado, prostituido, uma vez que desporovido de consciência política do ato de estar sendo utilizada justamente para confundir uma liberdade pela qual elas estavam lutando, afinal são exploradas ao nível geral e particular em sua condição. aplica-se sobre o strike a mesma observação de eco sobre o terrorismo – e não deixa de ser um ato de guerrilha(sexual): uma vez que é realizado para chamar atenção sobre a causa e não sobre os indivíduos, o que acentuou equivocadamente o pasquim.

já o top-less é algo de teor naturalista, realizado sem quaisquer nível de agressão ou significado político maior do que o gozo do sexo, liberdade para e não de, encerrando –se nele mesmo.

fica a pergunta imbecil, diante de quem se lida: de que adianta querer fazer brotar uma moda de corpo semi-nú, com a mente embotada? o caso é brotar o fenômeno, e não a moda. sem essa de masturbações intentadas além dos banheiros de redação.

como estou cercado de “latifundiários do humor”, ficam as coordenadas – prá não dizerem que estou escrevendo para inglês ler – o título tem os seguintes significados: não, mais, top-top(que na boa linguagem gestual-onomatopaica significa estamos fu….). e, finalmente, o vocábulo sem. derivem a vontade…. chega de tanta burrice, incompetência e mau-caratismo.

publicado na página de opinião de o norte, na segunda-feira 14 de janeiro de 1980.

o episódio foi o seguinte: não se sabe por atitude infantil ou de má-fé, um quase jornalista, e um fotógrafo do jornal, levaram a uma praia afastada duas garotas, tidas como prostitutas, e as fotografaram, publicando o material de forma sensacionalista, contextualizando uma agressão as mesmas, num tempo em que o correio da paraíba, jornal que abrigou a manobra, não conseguia nem embrulhar peixe.
contestado pelo meu artigo, o sub-editorialista de plantão rebocou: “ não existe uma maneira mais decente de manter este rapaz no posto?” não, não havia. eu ocupava a secretaria de redação de o norte e mantive o espírito acima até a minha demissão, ocasionada pelo 8.513.000 km, também postado neste blog.

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